Tenho vinte anos e uma licenciatura nas mãos. Esperei por este momento durante muito tempo, pensando que seria uma altura de grande entusiasmo. A vida a começar. Pôr em prática o tanto que fui aprendendo. Dar os primeiros passos no caminho que vai ser o futuro.
Sei que hoje em dia uma licencitatura não vale de muito. Pensa-se logo no segundo e terceiro ciclo. Mas sempre esperei que, depois de passar a esmagadora maioria da minha existência a estudar e apostar nesse futuro, o cenário seria mais animador.
Crise, é certo. As empresas não contratam. Muitas vão-se servindo do trabalho dos escravos. Perdão, estagiários. Há tempos li uma reportagem sobre eternos estagiários que vão saltando de um estágio para outro, porque não surge nenhuma oferta de emprego. É um medo que cresce.
Aliás, todos os medos associados à incerteza desta fase da vida voltaram, no preciso momento em que pousei a caneta no último exame da faculdade.
E nós, jovens, tão ansiosos por dar ao país o nosso contributo. E o país tão necessitado da participação dos jovens.
É, definitivamente, uma pausa no tempo. Um compasso de espera angustiante, entre um passado bem fresco de anos e anos de estudo e um futuro incerto de abandono, em que ninguém nos quer.


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