Ando de comboio quase todos os dias. Quem conhece a linha de Cascais sabe que é um exercício relaxante (um privilégio até) poder ver a paisagem que se estende até ao Cais do Sodré, em meia hora de caminho. Tenho um lugar cativo neste comboio. De costas para o destino, é o lugar de onde se vêem todos os quadros que vão surgindo por uma ampla janela, às vezes rabiscada. Há um de que gosto particularmente e que me obriga a desviar o olhar das muitas actividades que me ocupam durante estas viagens diárias.
Um destes dias o meu lugar estava ocupado. Acabei por me atirar contrariada para um banco virado para Lisboa, à janela. Quando passei pelo quadro do costume, reparei num sem-número de pormenores para os quais nunca antes tinha olhado. Como um espelho da fotografia mental que tiro sempre que passo por ali, mas diferente no reflexo obtido.
Como são propícias a reflexões as idas e regressos nesta linha de comboio, fiquei a pensar na importância de olhar a vida através de ângulos diferentes. Atrevermo-nos a espreitar por outro lado e descobrir, maravilhados, uma visão surpreendente.
Lembrei-me de um filme de que gosto muito e de uma cena em particular.
Carpe diem, fellows.

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