22 dezembro 2011

Em stand-by

Agora que chegámos à rotina de fazer balanços do ano volvido e tecer desejos para o próximo, tenho uma proposta muito simples.

Este ano foi difícil. Compreendemos finalmente a gravidade da nossa situação económica e começámos a cortar - muito em cima do acontecimento. E desse momento de iluminação até uma aflição grande - em que os pedidos de ajuda às instituições sociais dispararam, mais miúdos vão para a escola de estômago vazio, não há como pagar os transportes, o combustível e as portagens... - passaram-se apenas alguns meses.

Por isso, parece-me óbvio que só uma coisa a fazer: passemos 2012 à frente. De qualquer forma, a situação pouco melhorará e, apesar de se ir murmurando sobre 2015, o primeiro-ministro já disse que é em 2013 que os portugueses vão ver que os seus sacrifícios compensaram.

Entremos em stand-by neste 31 de Dezembro e voltemos à vida em Janeiro de 2013. Quem manda não se importará; também não me soa que acredite que possamos suportar estoicamente um ano tão difícil quanto o que já se fez anunciar.

O próprio país já está em compasso de espera. Espera por uma solução para esta crise financeira económica? Espera pela gota de água nos sacrifícios sociais arrancados a quem já tem tão pouco?

Assim como assim os salários, as reformas, as contratações e os sonhos já estão em stand-by.

Retire-se 2012 dos livros de história. Passe-se do capítulo sobre a primavera árabe para a uma recuperação milagrosa da velha Europa.

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