Ouvi Norberto Lobo ao vivo, pouco tempo depois de ter conhecido a sua música. Podia dizer que foi emocionante, envolvente e único. Devia dizer que está entre os melhores guitarristas que já ouvi. Mas não seria suficiente. Porque para conhecer Norberto Lobo é preciso ouvi-lo ao vivo, a tocar cada corda ora com uma delicadeza subtil, ora com uma firmeza fracturante.
Ao vivo, vemos a sua expressão de serenidade e entrega total. Vemo-lo a abraçar a guitarra, que conhece melhor do que a palma da mão. Antecipa cada som e usa a guitarra como poucos. Vai para além dos acordes, depois de percorrer a sua escala inteira.
Ao vivo, vemos a humildade da sua música e da sua pessoa. Apresenta-se ao público (e a audiência não parou de crescer durante todo o concerto) sem pretensões nem preciosismos. Apenas no final, um obrigado. Entre as músicas, um acenar de cabeça simples de quem reconhece o bom trabalho, o dever cumprido.
Para fechar os olhos, e ouvir.
