13 julho 2011

Norberto Lobo

Na passada quinta-feira começou o ciclo de concerto de Verão no Museu do Chiado. Não podia ter começado melhor.

Ouvi Norberto Lobo ao vivo, pouco tempo depois de ter conhecido a sua música. Podia dizer que foi emocionante, envolvente e único. Devia dizer que está entre os melhores guitarristas que já ouvi. Mas não seria suficiente. Porque para conhecer Norberto Lobo é preciso ouvi-lo ao vivo, a tocar cada corda ora com uma delicadeza subtil, ora com uma firmeza fracturante.

Ao vivo, vemos a sua expressão de serenidade e entrega total. Vemo-lo a abraçar a guitarra, que conhece melhor do que a palma da mão. Antecipa cada som e usa a guitarra como poucos. Vai para além dos acordes, depois de percorrer a sua escala inteira.

Ao vivo, vemos a humildade da sua música e da sua pessoa. Apresenta-se ao público (e a audiência não parou de crescer durante todo o concerto) sem pretensões nem preciosismos. Apenas no final, um obrigado. Entre as músicas, um acenar de cabeça simples de quem reconhece o bom trabalho, o dever cumprido.

Para fechar os olhos, e ouvir.

02 julho 2011

Até onde vai o oportunismo humano?




Depois da morte de Ryan Dunn, actor de Jackass, e um amigo, fãs e curiosos visitam o local do acidente de viação no estado da Pensilvânia. É chocante o que se vê neste vídeo, aos 4 minutos - algumas dessas pessoas recolhem partes do Porsche destruído de Dunn para vender no Ebay. O local está sinalizado como pertencendo a uma investigação das autoridades.

Até onde vai o oportunismo humano?

01 julho 2011

Por falar em Goucha...

Depois do peito da Maya e de um parto em directo na Conceição Lino, vimos na TVI o vídeo da operação à vesícula do Goucha.

Nunca pensei ver as entranhas de Manuel Luís Goucha na televisão. Não é coisa bonita de se ver e acho que ultrapassa o bigode.

"A Maldição da fama"

É o título da Visão desta semana, acompanhado por uma galeria de fotografias de figuras públicas (vivas e mortas). Leio este título e pergunto-me se serão apenas os famosos a sofrer acidentes brutais e trágicos como o que vitimou Angélico Vieira - ou se a Visão pensa assim.

A legendar as fotografias, um texto descreve que o acidente ocorreu "ao volante de um BMW, em excesso de velocidade e sem cinto de segurança posto". Enquanto anda toda a gente a conjecturar as circunstâncias do acidente, a Visão apurou que o condutor ia em excesso de velocidade e, já no interior do artigo, afirma que Angélico Vieira "iria sentado em cima do seu cinto para enganar o sensor". Fonte, é que nem vê-la. A GNR é citada unicamente na explicação de que os passageiros seriam projectados porque não levariam cinto de segurança.

Indignam-me as afirmações peremptórias deste artigo, escasso em referências a fontes. Nestes casos, a verdade raramente é conhecida na sua totalidade, perde-se no meio do "diz que disse" e do endeusamento da personalidade pública falecida. Não alimentar o desejo ávido do público por pormenores sórdidos e certezas infundadas deve ser um dever da comunicação social (da que se preza, pelo menos).

Estas afirmações ganham outra dimensão pelo facto de o passageiro que saiu ileso do acidente ter anunciado, esta semana no programa do Goucha, que Angélico Vieira levava cinto de segurança. As diferentes versões vão suceder-se e muito vai ainda ser escrito - importa, sim, perceber o que se passou e publicar a verdade. Não o que o público quer ler.

Apesar de tudo isto, é menos mau um artigo sobre os efeitos perniciosos da fama - mesmo que junte na mesma leva os suicídios de Marilyn Monroe e Jimi Hendrix (entre outros), o assassinato de John Lenon, o acidente da princesa Diana, a prisão de um participante do Big Brother, a ida de José Carlos Pereira para rehab -, menos mau, do que a tragédia, o choque e as lágrimas que fazem capa de outras revistas. Pelo menos a Visão não repetiu, passo a passo, a morte de Angélico Vieira. É que até se fizeram infografias do acidente...