23 janeiro 2011

Dia de ir às urnas

Tem sido, até agora, vergonhoso.

Se a taxa de abstenção já se previa mais elevada do que o normal devido ao descontentamento da população, imagino que será ainda maior graças aos entraves ao voto. Vamos por partes.

De manhã, algumas assembleias de voto não abriram. Em protesto por razões legítimas algumas populações tomaram os locais de voto, fecharam-nos, e impediram quem queria de exercer o seu direito ao voto. Isto parece-me um atentado à liberdade. Apelar à abstenção não me choca, embora não esperasse tanta mobilização nesse sentido. Mas impedir o acesso às urnas vai para além do direito a manifestar opinião - entra em confronto com o direito de exercer a escolha eleitoral.

Digo isto consciente de que outras alternativas a estas acções que tiveram lugar em alguns concelhos do país fariam passar a mesma mensagem, de forma bem mais democrática.

Depois, os problemas com a identificação dos eleitores. Já se sabia que o Cartão do Cidadão traz o problema dos códigos de acesso e dos dispositivos necessários para fazer a sua leitura. Já se sabia que o país ainda não está adaptado a este novo sistema - eu, como muitas pessoas, continuo a desculpar-me quando preencho algum impresso por o meu Cartão do Cidadão não ter data nem local de emissão. Esta falta de visão levou, certamente, a que muitas pessoas deixassem de votar.

Ao que parece era possível obter o número de eleitor e o local de voto através de uma linha telefónica (impedida sempre que tentei ligar para lá), de um serviço de mensagens (ainda estou à espera das duas respostas) e de dois portais online (só num deles consegui os meus dados após algumas horas de tentativas).

Parece-me que, a antecipar estas questões, os meios de comunicação podiam ter dado alguns conselhos nos últimos dias da campanha para melhor preparar os eleitores. Do que vi,  só hoje a SIC Notícias alertou para a falta dos números de eleitor e indicou as plataformas onde estes podem ser consultados. Não afirmo que tenha sido a tendência geral, mas só se ouviu falar do frio e, graças a Deus que está, ou os telejornais não teriam mais nada para dizer ontem.

Os órgãos responsáveis falharam na preparação destas eleições. O ministro da Administração Interna já adiantou a possibilidade de repetir o acto eleitoral em algumas freguesias, na próxima terça-feira. Parece que estas eleições feitas em cima do joelho não têm fim, seguidas de uma campanha que se arrastou penosamente por umas semanas de discussão política morna.

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