29 janeiro 2011

Tunísica, Egipto e as redes sociais

"Mas a força impressionante das ideias soube sobrepor-se a tanta adversidade e, hoje em dia, a liberdade de imprensa é algo, se bem que precário, certamente muito ampliado em numerosos países nos quais a democracia formal conseguiu triunfar sobre a arbitrariedade a ditadura."

Juan Cébrian escrevia assim em 1997, sobre a invenção da imprensa por Guttenberg. Em 2011, temos muito presente um bom exemplo da força das ideias.

Ao ler isto lembrei-me da liberdade de expressão, mais do que a de imprensa, e do seu papel na revolta das populações da Tunísia e do Egipto. O poder da palavra traz consigo a liberdade. Vimo-lo nos primórdios da imprensa, com os livros que fizeram questionar os dogmas da altura; vimo-lo com as músicas passadas na rádio na madrugada de 25 de Abril de 1974, que deram sinal às forças a postos; vemo-lo agora com as palavras de ordem espalhadas nas redes sociais, que mobilizaram a acção contra os governos tiranos e que, segundo se diz, podem inspirar outros países a fazer o mesmo.

23 janeiro 2011

Dia de ir às urnas

Tem sido, até agora, vergonhoso.

Se a taxa de abstenção já se previa mais elevada do que o normal devido ao descontentamento da população, imagino que será ainda maior graças aos entraves ao voto. Vamos por partes.

De manhã, algumas assembleias de voto não abriram. Em protesto por razões legítimas algumas populações tomaram os locais de voto, fecharam-nos, e impediram quem queria de exercer o seu direito ao voto. Isto parece-me um atentado à liberdade. Apelar à abstenção não me choca, embora não esperasse tanta mobilização nesse sentido. Mas impedir o acesso às urnas vai para além do direito a manifestar opinião - entra em confronto com o direito de exercer a escolha eleitoral.

Digo isto consciente de que outras alternativas a estas acções que tiveram lugar em alguns concelhos do país fariam passar a mesma mensagem, de forma bem mais democrática.

Depois, os problemas com a identificação dos eleitores. Já se sabia que o Cartão do Cidadão traz o problema dos códigos de acesso e dos dispositivos necessários para fazer a sua leitura. Já se sabia que o país ainda não está adaptado a este novo sistema - eu, como muitas pessoas, continuo a desculpar-me quando preencho algum impresso por o meu Cartão do Cidadão não ter data nem local de emissão. Esta falta de visão levou, certamente, a que muitas pessoas deixassem de votar.

Ao que parece era possível obter o número de eleitor e o local de voto através de uma linha telefónica (impedida sempre que tentei ligar para lá), de um serviço de mensagens (ainda estou à espera das duas respostas) e de dois portais online (só num deles consegui os meus dados após algumas horas de tentativas).

Parece-me que, a antecipar estas questões, os meios de comunicação podiam ter dado alguns conselhos nos últimos dias da campanha para melhor preparar os eleitores. Do que vi,  só hoje a SIC Notícias alertou para a falta dos números de eleitor e indicou as plataformas onde estes podem ser consultados. Não afirmo que tenha sido a tendência geral, mas só se ouviu falar do frio e, graças a Deus que está, ou os telejornais não teriam mais nada para dizer ontem.

Os órgãos responsáveis falharam na preparação destas eleições. O ministro da Administração Interna já adiantou a possibilidade de repetir o acto eleitoral em algumas freguesias, na próxima terça-feira. Parece que estas eleições feitas em cima do joelho não têm fim, seguidas de uma campanha que se arrastou penosamente por umas semanas de discussão política morna.

10 janeiro 2011

Cavaco, o Action Man



O senhor presidente deu, no passado fim-de-semana, mostra da sua jovialidade. Com o arranque oficial da campanha bebeu uns quantos Red Bull e, cheio de energia, subiu ao tejadilho do carro.

Será que andou a ensaiar a manobra ou, espontaneamente, sentiu-se inspirado pelo apoio da populaça?

De qualquer forma, fez-me lembrar a sessão fotográfica de Vladimir Putin no Verão de 2009. Ele nadava, ele andava a cavalo, ele trepava árvores, ele fazia fogueiras - um supra-sumo, um Action Man da política.


Enquanto Cavaco Silva se ficar pelos carros, tudo bem.