A Rússia invadiu a Geórgia. O Presidente georgiano Mikhail Saakachvili está morto e as ruas estão a ser invadidas por tanques russos.
Foi isto que o noticiário da estação televisiva Imedi TV transmitiu, no Sábado passado, ao povo georgiano. Apesar de ter antecipado que a notícia se trataria de uma simulação, o repórter deve ter sido bastante convincente, de tal modo que a população da Geórgia entrou em pânico perante a possibilidade de reviver acontecimentos tão próximos como foi o conflito entre os dois países em questão, no Verão de 2008.
A notícia deixou em alvoroço jornais, televisões, rádios nacionais, mas também os media internacionais. Parece que poucos a tomaram como falsa. Diz-se até que pessoas morreram com ataques cardíacos e crianças foram internadas devido ao medo que se gerou.
Associada inevitavelmente à experiência de Orson Wells, esta "brincadeira", como muitos a apelidaram, faz-nos pensar em algumas coisas. Primeira: seremos tão ingénuos quanto o povo americano de 1938, que acreditou fielmente que o relato radiofónico de A Guerra dos Mundos estava a ser noticiado como um acontecimento verídico? Talvez não tivéssemos (porque não foram só os georgianos) acreditado na história, caso se tratasse de uma invasão de marcianos. Mas há que pensar que aqui a ameaça russa foi, e continua a ser, uma realidade que a população do ex-território soviético já viveu.
Segunda: Acreditamos tão piamente no que os media dizem, que absorvemos tudo sem o menor esforço de dúvida. Estabelecemos com eles uma relação contratual baseada numa confiança inabalável, depositada na figura do apresentador que todos os dias nos entra pela casa. De um modo geral, o que a comunicação social diz, assim é. Mas são episódios como este que dão origem às famosas teorias da conspiração. Não é para surpresas que alguns duvidem da veracidade de imagens como a ida do Homem à Lua ou mesmo do 11 de Setembro.
O acontecimento virá, de certo, abalar uma altura importante na relação entre Rússia e Geórgia, quando os dois países estão a fazer esforços no sentido de uma maior cooperação. Também por isso, há quem sustente que toda a "brincadeira" foi orquestrada pela oposição para perturbar a tentativa de aproximação. Algo que se junta à lista de factos a que o grande público nunca terá acesso.

Quando soube pela primeira vez o que tinha acontecido ri-me. Nem queria acreditar. Achei de uma ingenuidade. Apesar das relações actuais entre os dois países, é um acontecimento relativamente improvável. Sobretudo de ser captado por uma só estação de Tv.
ResponderEliminar(huuum... nao é suposto a jornalista parar de se pavonear no set e olhar mais para a camara ou o outro apresentador? Não têm aulas com o Rodrigues dos Santos, olha...)