20 dezembro 2012

Para que o tempo não gangrene

Teremos sempre Paris
Construída de raiz
Com cobertores no chão
 
Para que o tempo não gangrene
O nosso Outono Cheyenne
Retorno ao cemitério

Tinta preta, doce mel
Entre favos de papel
Os medos lambuzados

Recuamos para a frente
Tango pouco inteligente
Avançamos para trás
Tango muito eficaz
Ou não

No velho carro ligeiro
Eu fui sempre passageiro
Vocês foram para sempre

Escuro comprometedor
Era um túnel do Amor
E eu só liguei os mínimos

Acercamo-nos distantes
Se queremos ser estudantes
Morramos em Tiananmen

Recuamos para a frente
Tango pouco inteligente
Avançamos para trás
Tango muito eficaz
Ou não

Choramos os nossos risos
Fados muito imprecisos
Rimo-nos dos nossos ais
Fados pouco casuais
Ou não

 Samuel Úria