Todos os dias, uma média de 100 alunos desiste do ensino superior. Muitos outros congelam matrículas ou acumulam dívidas enquanto esperam pela resposta dos serviços de acção social sobre os pedidos de bolsa. Há ainda outros que prescindem dos livros e da alimentação, mas não do sonho de estudar.
Enquanto via hoje a Grande Reportagem da SIC, Abandono Silencioso, senti-me envergonhada. Envergonhada pelo meu país, que permite estas situações, que permite que os seus cidadãos hipotequem desta maneira o seu futuro.
Não se trata de política, ou políticas, mas da realidade; da realidade que não vem na comunicação social de todos os dias. Um banho de realidade.
Já que falamos em políticas, fiquei particularmente surpreendida pelo facto de o ministério não ter feito um comentário pedido pela SIC, e ter recuperado um comentário do secretário de Estado do Ensino Superior feita em Fevereiro. Dizia ele que o número de desistências até tinha diminuído este ano em relação a 2011 e que não havia estudos sobre o assunto. A Educação deste país anda mesmo uma balda. E não é só nos parques escolares.
Os jovens entrevistados surpreenderam-me por terem algo em comum: a vontade de não desistir. Senti-me também sortuda por ter conseguido fazer uma licenciatura (embora não saiba quando será possível um mestrado, uma pós-graduação, um doutoramento). Não sei teria tido a persistência e força de vontade destas pessoas.
A educação superior é um luxo?, perguntava-se na reportagem. Cada vez mais, é óbvio.