12 março 2011

Gerações à rasca


foto Gonçalo Villaverde/Global Imagens

Fala-se numa mobilização histórica. A organização do protesto Geração à Rasca aponta para a participação de quase 300 mil pessoas (um número muito maior do que será, certamente, avançado pelo Governo).

Este foi o grito dos jovens. Contra a precariedade do trabalho, contra a escassez de oportunidades, contra a exploração dos estágios e empregos mal remunerados, contra o desemprego prolongado, contra a incerteza. E que bonito foi ver que os jovens, tantas vezes acusados de desinteresse, se uniram por estas causas.

Para além dos jovens, outras pessoas marcaram presença - juntaram-se três gerações, movimentos políticos e sindicais, figuras de intervenção.

Os mais velhos falaram nas miseráveis reformas que recebem e nos cortes que elas poderão sofrer. Os pais da Geração à Rasca mostraram-se preocupados com o futuro dos filhos. Até os professores e os clientes do BPP aproveitaram a maré de contestação. Os Homens da Luta foram os protagonistas em Lisboa; Fernando Tordo, Rui Veloso e Vitorino cantaram temas de intervenção e até Joana Amaral Dias gritou pela união do povo.

Apesar de ter sido notável a participação em todo o país, parece-me exagerado que se fale em algo semelhante ao 25 de Abril, como se ouviu em alguns comentários. Mas este dia 12 de Março e a vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção são sintomas do descontentamento social em que o país está mergulhado - estamos todos à rasca e não há como continuar a ignorar isso. Com juros a 8% (ainda se lembram do limite de 7% do ministro das Finanças?), mais cortes à vista, uma possível crise política, preços de alimentos a aumentar...

Esperamos que este banho de realidade não deixe incólume a classe política. Esperamos também que não seja tomado como outra brincadeira de Carnaval.