25 outubro 2010

O amigo José


Agora que os hipermercados já abrem ao Domingo durante todo o dia e que já começa a febre das prendas de Natal, também Hugo Chávez veio fazer umas comprinhas a Portugal.


Veio dar as "duas mãos" ao "amigo José" porque amigo que é amigo está presente nos melhores momentos mas também nos mais difíceis, que é como quem diz, quando dá jeito a Portugal exportar mais uns milhõesitos.

Desta vez, Chávez não se limitou aos Magalhães, esses fantásticos exemplares de computador que quando cai não se estraga e aguenta tudo, até bombardeamentos. Levou casas para habitação social, mais de 12 mil, dois navios asfalteiros e um ferry. "Disseram-me que é um barco bom, bonito e barato. Se é assim, estamos muito interessados". Tudo pela módica quantia de 1100 milhões. E desconfio que, se não tivesse de se ir embora tão cedo ("Vamos, já é tarde. Temos de chegar a Caracas antes que anoiteça"), ainda levava mais umas coisitas. Sei lá, podia apetecer-lhe comprar o mar, para aí. Ou então os meios de comunicação portugueses, já que os "de lá" são "manipuladores sem respeito pela moral e pela ética". Tudo palavras do querido amigo.

Nem é preciso dizer que Sócrates já teve o seu Natal deste ano. E agradeceu várias vezes, não fosse restar alguma dúvida de que está profundamente grato ao parceiro venezuelano. Este Pai Natal também veste vermelho, é igualmente rechonchudo mas não diz "oh oh oh". Diz "no me callo".

04 outubro 2010

Wall Street, Money Never Sleeps... But I almost did


Fui ver o Wall Street, Money Never Sleeps. Há uns meses atrás, não teria apanhado metade do filme. E parece-me que metade dos espectadores não percebeu o jargão financeiro e as operações em que o enredo se baseia.
E pensar que a outra metade captou isso tudo já é ser generosa.





Ora bem, eu ainda não vi o primeiro Wall Street, aquele que, dizem, lançou o Gordon Gekko para o universo das melhores personagens de filmes. Mas este Gekko de 2008, redimido dos seus crimes, mas afinal não tão redimido assim, e depois outra vez bonzinho... Não me impressionou muito.

Aliás, todo o filme foi uma decepção e eu que ia com tão grandes expectativas. O Shia LaBeouf é um protagonista pequenino, sempre ali no limbo entre o certo e o errado, mas sem convencer. A Carey Mulligan (gosto muito dela, mas) passa o filme quase todo a chorar uma lágrima silenciosa muito sentida...

E os efeitos entre cenas? Ficou-me um em que peças de dominó caem sucessivamente a metaforizar a queda das acções de muitas empresas.

Eu não sou grande entendida em cinema, mas não gostei muito.